Projeto CONTAR[mi]NAR[Ele]
O projeto CONTAR[mi]NAR[ele] nasce das oficinas de teatro oferecidas aos conviventes da Casa Restaura-me. Descentralizado, buscou solucionar questões surgidas nessas oficinas como a instabilidade/ irregularidade dos participantes e a percepção de que os modelos que estavam sendo propostos já não satisfazia o anseio de estabelecer uma atividade que permitisse uma participação coletiva a contraponto de uma condução. Para tanto, foi proposta uma série de intervenções que visionavam uma estrutura que concentrasse, em sua unidade, fruição, reflexão e o fazer artístico em um único momento. As intervenções do CONTAR[mi]NAR[ele] aconteciam semanalmente e eram intermediadas sempre por uma linguagem estética que permitia tanto a apreciação quanto a participação ativa dos conviventes de forma espontânea. Este é um projeto que segue fomentado as pesquisas da Cia O Grito dentro da Casa Restaura-me.
Com o aprofundamento da pesquisa, o projeto CONTAR[mi]NAR[ele] também ganhou novas proporções. A segunda etapa do projeto CONTAR[mi]NAR[ele] se concentrou em analisar os materiais até então levantados para a elaboração de propostas cênicas, propostas que se aproximassem do conceito de um teatro-interventivo. O que chamamos aqui de teatro-interventivo tem de antemão condicionantes estéticos do chamado teatro de rua e da intervenção urbana. Tais condicionantes, contaminados pela própria relação entre os artistas e os conviventes da Casa Restaura-me, permitiu-nos criar realidades momentâneas, porosas, que potencializaram o momento presente e estabeleceram um espaço simbólico de ressignificação coletiva de tudo e de todos. O teatro-interventivo passa a ser uma linha de pesquisa estética fundamental para a Cia O Grito.
Conheça algumas das intervenções e das propostas cênicas (teatro-interventivo) do CONTAR[mi]NAR[ele]:
Ouve-se Histórias
Essa intervenção consiste em dispor mesas e cadeiras como um convite para uma boa conversa - um espaço de escuta e de compartilhamento de histórias. Essa intervenção já se repetiu algumas vezes dentro da nossa pesquisa com o projeto CONTAR[mi]NAR[ele].







O Bando
Nessa intervenção dispusemos uma série de instrumentos para serem tocados por todos que assim desejassem o que nos permitiu acessar histórias sobre as musicalidades de cada participante/ouvinte.
Auto-eu
Nessa intervenção foi feito um grande varal com desenhos e poesias, produzidos tanto pelos artistas da companhia quanto pelos artistas da Casa em meio ao jardim da instituição, sobre as individualidades de cada um a partir do “diálogo” com espelhos, dessa intervenção foi levantado um importante material literário e visual simbólico.







Comigo não morreu
Nessa intervenção, os dois palhaços Não Sei e Buiú chegam a fim de reviver brincadeiras da infância junto com os frequentadores da Casa.
Balões
Nessa intervenção se criou uma pequena narrativa a respeito de balões coloridos que possuíam "últimos desejos" dentro deles, os quais deveriam ser realizados quando estes eram estourados, o jogo-intervenção instaurou um estado lúdico entre os conviventes e propiciou discussões potentes sobre preconceito, respeito e sobre as particularidades de cada corpo.







Eu-postal
Nessa intervenção foi proposto ação o envio SIMBÓLICO de cartas dos participantes para eles mesmos ou outras pessoas abrindo um universo a respeito das memórias e das subjetividades de cada um.
Carto Eu Grafo
Nessa intervenção foi construída uma cartografia simbólica com fita crepe representando o lugar de onde cada um veio e foi realizada no salão principal da Casa Restaura-me.






No Coro Instrumental
Essa intervenção foi uma grande improvisação com instrumentos e canto que aproximou muitos dos conviventes para compartilhar seus saberes e gostos musicais.
Travessia
Nessa intervenção a premissa era desenhar no mapa do Brasil os caminhos pelos quais cada um percorreu, destacando os lugares com maior apelo afetivo. Os limites do mapa não foram suficientes para carregar tantas travessias…






Os viajantes
Nessa cena interventiva, dois viajantes,expulsos de sua terra natal, chegam à cidade de São Paulo, ao Brás, à Casa Restaura-me e precisam entender as contradições de cada espaço para neles sobreviverem e portanto, precisam da ajuda do público.
Julgamento dos Viajantes
Nessa cena interventiva, a saga dos viajantes é retomada e dessa vez, já habituados com a cidade de São Paulo e com o bairro do Brás, entram em uma confusão com a dona de uma loja e vão à julgamento. Os advogados de defesa e de acusação são encontrados no público que passam a atuar na cena.





Redatores do Jornal
Nessa cena interventiva, os redatores de um jornal, no dia do trabalho, sentiram-se no direito de não editá-lo. Porém, o jornal precisa ser impresso, então os redatores pedem ajuda ao público para preencher as manchetes e as notícias do dia.
Dois diretores à procura de atores
Nessa cena interventiva, o público é convidado a se juntar a equipe de televisão para gravar os programas do dia.





Os viajantes retornam
Nessa cena interventiva, os viajantes de Lá retornaram depois do julgamento como contadores de histórias e pedem ajuda do público para sobreviver na cidade grande recolhendo histórias ou contando outras a partir dos objetos que estão em suas malas.
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