Projeto de Intercâmbio Brasil/Grécia - “Caminhos da Memória”
Contemplado com edital 01 MINC de Intercâmbio 2012

Em setembro de 2011, nós da Cia. O Grito recebemos a visita da diretora grega Kornilia Vasileiadou, do grupo Kanigunda, da Universidade Aristotélica de Tessalônica em nossa sede, estabelecendo então uma primeira parceria com os artistas do grupo Kanigunda, da Grécia, que desenvolviam um processo de pesquisa similar ao nosso, buscando nas raízes populares gregas subsídios para a construção cênica.
Em 2012, propomos um projeto de intercâmbio “Caminhos da Memória”que foi contemplado com edital 01 MINC de Intercâmbio, possibilitando a residência dos artistas da Cia O Grito durante um mês nos grupos gregos Kanigunda e O Ninho em Atenas e também na Universidade Aristotélica de Tessalônica.


A pesquisa do grupo Kanigunda, na Grécia, acontece em dois pólos: um deles busca descobrir e resgatar o uso do coro grego e tem se debruçado nas vozes, sonoridades e histórias da Polifoniká[1], e noutro pólo acontece uma busca às raízes ritualísticas do teatro grego pesquisando os rituais do Ta Anastenaria[2]. Junto desse grupo, a Cia O Grito, durante o intercâmbio, elegeu o texto As Bacantes, de Eurípides, como motivador de uma dramaturgia coletiva e de rua, porque ele responde a algumas questões estéticas que estávamos lidando em nossa sede em Heliópolis: o estrangeiro no novo lugar (Heliopolis), o novo que não é reconhecido (Ipiranga x Heliopolis), a defesa da tradição em contrapartida a vontade da mudança, a busca por outros espaços, ritualização e coro, etc.


[1] São canções tradicionais da região grega de Epirus ("Ήπειρος"). Nessa canção polifônica, que é uma síntese das vozes que a compõe, cada voz tem uma função distinta, um jeito específico de narrar historias que resgatam emoções profundas e fortes dos gregos. Uma forma vocal coletiva e que expressa de forma cultural e emotiva as histórias e os mitos coletivos gregos.Esses elementos ligam essa tradição vocal ao coro da tragédia grega.
[2] O Ta Anastenaria trabalha com elementos da música, da dança e de construção de cenário. Trata-se de uma tradição grega cujo elemento básico é caminhar sobre o fogo com os pés descalços em êxtase. Esse ritual verificado em algumas vilas da Grécia, em especial na região de Thraki.Segundo pesquisas esse costume vem de um antigo ritual religioso dionisíaco. A pesquisa busca na relação espacial, com a musica, dança e elementos que a compõe traçar uma possibilidade de resgate ritualístico da tragédia
Confira o relatório completo com todas as atividades que a Cia O Grito desenvolveu durante o nosso intercâmbio na Grécia: https://es.scribd.com/document/319750751/Intercambio-na-Grecia#download&from_embed
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